Respirador Bucal

Respirador Bucal

Respirador Bucal é o indivíduo que substitui o padrão correto de respiração nasal por um padrão bucal ou misto (buco-nasal).Esse padrão respiratório inadequado pode afetar progressivamente o desenvolvimento físico e psíquico do paciente, além de comprometer o desenvolvimento da face e das arcadas dentárias.

 

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Respirador Bucal

Respirador Nasal

 

Respiração Bucal Crônica

Respiração Bucal Crônica – Quando se constata obstrução nasal por alguma alteração orgânica, como hipertrofia de adenóides e de amígdalas, desvio de septo, alergias, rinite, sinusite e bronquite.

Algumas alterações começam a ocorrer:

  • Boca aberta a maior parte do tempo
  • Língua passa a ficar mais baixa junto aos dentes inferiores
  • Projeção da cabeça para frente, esticando o pescoço e alterando a postura da coluna

 

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Respirador Bucal Crônico

 

Em longo prazo, a respiração bucal pode acarretar prejuízos muitas vezes irrecuperáveis, como alterações musculares e ósseas da face, do tórax e na postura.

Importante lembrar que nos primeiros anos de vida, a velocidade de crescimento da face é maior que do crânio.

  • Aos 4 anos – 60% da face pronta
  • Aos 6 anos – 80% da face pronta
  • Aos 12 anos – 90% da face pronta

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Sinais e Sintomas

A respiração bucal é uma síndrome com sinais e sintomas característicos.
Dentre eles:

–  Problemas respiratórios (rinite, bronquite, otite, amigdalite)
–  Lábios entreabertos e ressecados com gengivas inflamadas
–  Céu da boca profundo, maxila atrésica, língua baixa
–  Ronco, sono agitado e pesadelos
–  Baba durante o sono (dorme de boca aberta)
–  Olheiras e aspecto cansado
–  Irritabilidade por noites mal-dormidas podendo ficar hiperativos ou sonolentos durante o dia
–  Respiração barulhenta
–  Por causa da flacidez na boca e na língua, o processo de mastigação e deglutição também ficam comprometidos
–  Assimetria de face, narinas estreitas
–  Come rápido, mastiga pouco, utiliza líquido para auxiliar na hora de engolir e prefere alimentos pastosos
–  A fala, o sono e a concentração sofrem danos

A criança não precisa apresentar TODAS as alterações citadas acima, é importante que a família esteja atenta!

A importância do atendimento precoce significa melhor qualidade de vida para a criança!

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Problemas Posturais

A Síndrome do Respirador Bucal prejudica o organismo muito além da simples alteração local respiratória, compromete também toda a postura do indivíduo.
Com a boca aberta a maior parte do tempo, a língua passa a ficar mais baixa junto aos dentes inferiores. Para melhorar a passagem do ar, há uma projeção da cabeça para frente, esticando o pescoço e alterando a postura da coluna.

–  Ombros propulsados e caídos
–  Escoliose, hiperlordose, hipercifose
–  Abdômen proeminente
–  Pés planos
–  Mamas caídas
–  Escápulas salientes
–  Deformidades do tórax

Respirador Nasal Respirador Bucal Classe I Classe II Classe III
Quando a cabeça se anterioriza os ombros rodam internamente, comprimindo o tórax, levando a alterações no ritmo e na capacidade respiratória, o que ocasiona uma respiração mais rápida e curta, criando uma deficiência de oxigenação.
A flacidez e a distensão da musculatura abdominal e do estômago ocorrem pela excessiva deglutição de ar, podendo provocar dores na região lombar.
Além deste sintoma, é comum aparecerem problemas digestivos, de fígado, incontinência urinária, dentre outros.

A posição da mandíbula é também responsável pela postura corporal, pois a relação entre as arcadas dentárias (a oclusão dentária) determina uma posição espacial do crânio e devido aos mecanismos em cadeias (grupos musculares e articulares) há compensações da coluna cervical, da cintura pélvica, dos joelhos e por fim dos pés em busca de equilíbrio corporal.

 

Problemas Psicopedagógico

Criança Dispersa Criança Sonolenta Criança Hiperativa

Criança
Dispersa

Criança
Sonolenta

 Criança
Hiperativa

 

Estudos apontam uma menor oxigenação cerebral quando se respira pela boca, o que prejudica o aprendizado.

O sono do respirador bucal não é reparador, pois é agitado e entrecortado com pesadelos.
É comum essas crianças apresentarem problemas intelectuais, tais como dificuldade de memorização de novos eventos, alterações da capacidade cognitiva e problemas com aprendizado. Podendo ser danoso o processo de alfabetização e consequentemente da aquisição da linguagem escrita.

Como o nariz não está funcionando adequadamente, o ouvido passa a não ser arejado como deveria. As funções auditivas de localização, discriminação, reconhecimento e organização ficam prejudicadas, favorecendo a certa imaturidade auditiva, impossibilitando ou atravancando o bom desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem.

A criança não consegue prestar atenção durante a aula.
Para não dormir em aula, pode apresentar dois tipos de comportamento: inquieto, impaciente e impulsivo ou desatento e sonolento com cansaço e depressão.

O resultado disso é um rendimento muito baixo!

Ainda no ambiente escolar: respirando mal, cansa-se facilmente, não tem disposição para o esporte ou qualquer atividade física.

A socialização com outras crianças pode ficar comprometida, gerando sentimentos de angústia e inadequação.

TDAH x SRB

Transtorno Déficit de Atenção e Hiperatividade X Síndrome do Respirador Bucal.

Ainda no campo da hipótese, há um questionamento acerca das semelhanças de sinais e sintomas entre TDAH e SRB.

Estima-se que, em média, 5% das crianças em idade escolar possam apresentar TDAH, sendo que o sinal da SRB pode ser encontrado em 30% das crianças na mesma faixa etária.

A SRB provoca inúmeros problemas como deformidades na face, no céu da boca, nos dentes, alterações na fala, deglutição, mastigação e aumenta a incidência de doenças respiratórias. 

Sinais e Sintomas TDAH

Básicos: Hiperatividade, Impulsividade e Desatenção.

Dificuldade de organização, esquecimento de tarefas simples do dia-a-a-dia, falta de atenção e concentração, desânimo, impulsividade e inquietação.

Não ficam paradas na sala de aulas:

–  Falam muito com os colegas
–  Interrompem de maneira imprópria a professora
–  Iniciativas descontroladas
–  Tumultuam a classe com brincadeira fora de hora
–  Apresentam desempenho abaixo do esperado

Sinais e Sintomas SRB

Ronco noturno, apnéia, rinites, sinusites, bronquites, problemas dentários como mordida aberta e cruzada, palato estreito e ogival (céu da boca alto).
Olheiras, perda de audição e otites, flatulência (gases), alterações de postura, de voz e na fala, comprometendo a qualidade de vida da criança e seu desenvolvimeto global.
O estresse neste processo de respiração pela boca é tanto que a criança não dorme satisfatoriamente, ficando ansiosa, sonolenta, com déficit físico e mental.

Estudos apontam menor oxigenação cerebral o que prejudicaria o aprendizado.

 

Etiologia TDAH

Ainda não se sabem as causas do TDAH. Existe a hipótese de que neurotransmissores como a dopamina e a noradrenalina estejam envolvidos com o transtorno.

 

Etiologia SRB

Condições alérgicas (rinites), anatômicas (alterações de septo, hipertrofias de tecidos) e funcionais (falta de aleitamento materno, sucção de chupeta, dedo, postura errada da mamadeira).

 

Diagnóstico TDAH

São muitos os critérios para diagnosticar o transtorno. Deve-se responder um questionário para avaliação de alguns sintomas, esses sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos de idade, devem causar problemas em pelo menos dois contextos diferentes (vida familiar, escolar ou social) e é necessário descartar se os sintomas refletem algum problema psicológico ou psiquiátrico. A análise clínica do caso deve ser extensa – ou seja, não é possível fazer diagnóstico em uma sessão rápida, apenas checando a lista de sintomas.

Diagnóstico SRB

É confirmado pelo otorrinolaringologista que, através de exames específicos, determinará as causas da respiração bucal.

Leia mais.

Tratamento TDAH

O tratamento se faz com o uso de medicamentos estimulantes do sistema nervoso associado à terapia psicológica.
Quanto mais precoce o início do tratamento melhores serão os resultados, pois o comprometimento emocional será menos acentuado.

Saiba mais: www.tdah.org.br

Tratamento SRB

O tratamento proposto poderá ser clínico e/ou cirúrgico, dependendo de cada caso.

O tratamento do respirador bucal é multidisciplinar, podendo envolver otorrinolaringologista, dentista ortopedista funcional, pediatra, alergista, homeopata, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e psicólogo.

A participação de todos estes profissionais se fará necessária quanto maior for a severidade do problema.

Há que se eliminar a causa da respiração bucal e corrigir, quando necessário, as alterações ósseo-musculares já instaladas.

O tratamento precoce é indicado pois toda alteração que envolve o crescimento e desenvolvimento dos ossos maxilares e arcadas dentárias, tem a tendência de se tornar mais difícil com o passar do tempo.

Casos considerados simples quando tratados na dentição de leite, sem o tratamento oportuno, podem se transformar em casos unicamente cirúrgicos.

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Prevenção e Tratamento

Prevenção é a conduta terapêutica, antes ou durante a enfermidade, para impedir que ela se instale e/ou progrida a fim de alcançar a cura parcial ou total.

Objetivo: Impedir a instalação da respiração bucal e corrigir suas seqüelas.

Fatores educacionais:

Orientar sobre a importância e estimular:

  • Respiração nasal
  • Amamentação natural
  • Mastigação efetiva (alimentos duros e secos)

Orientar sobre a os efeitos nocivos e eliminar:

  • Hábitos bucais

Percebendo pequenos desvios:

Encaminhar ao otorrinolaringologista ou alergista para:

  • Tratar possíveis alergias ou obstruções mecânicas à respiração nasal

O dentista irá atuar em:

  • Desgaste seletivo (pequenos desgastes no esmalte do dente)
  • Orientação mastigatória (bilateral e alimentação apropriada)
  • Pistas diretas (resinas sobre os dentes)

 

Desvios já instalados:

Encaminhar ao otorrinolaringologista ou alergista para:

  • Tratar possíveis alergias ou obstruções mecânicas à respiração nasal

 

No consultório odontológico:

Caso haja correção da forma das arcadas dentárias sem o devido restabelecimento do padrão correto de respiração nasal, haverá recidiva do tratamento. Nesse momento, é importante:

  • Encaminhar ao fonoaudiólogo para reeducação muscular e respiratória.

Importância e indicação da cirurgia de Amigdalectomia

Todo e qualquer tratamento de doenças se dá de acordo à gravidade das mesmas.

Seguindo os princípios da homeopatia, o doente adoece antes mesmo de a doença aparecer no corpo físico. Assim, a promoção da sáude se dá quando valorizamos e estimulamos aspectos fundamentais de qualidade de vida: alimentação saudável, sono reparador, lazer e afeto.

Então, a resposta do sistema imunológico será adequada frente a todo tipo de agressão normal que enfrentamos, seja ela de caráter emocional, físico ou químico. O desequilíbrio do sistema como resposta será passageiro, retornando ao seu estado de normalidade.

Em casos onde o sistema imunológico não consegue uma resposta tão equilibrada, o corpo adoece e precisamos usar de recursos medicamentosos. Desde a medicina homeopática à alopática, há inúmeras possibilidades complementares para a recuperação desse equilíbrio. O corpo pede repouso, o sistema imunológico é estimulado e após um período médio de 10 dias, o corpo se restabelece.

Mas, há casos em que a doença instalada está tão crônica que já não há condições básicas de qualidade de vida. Esse é o caso do respirador bucal crônico. É impossível ter qualidade do sono – que é um dos aspectos fundamentais de equilíbrio do sistema.

Hipertrofia

A hipertrofia das adenoides, assim como das amigdalas palatinas, é muito comum na infância. As adenoides já existem desde a idade lactente, atingindo seu maior volume no decorrer da primeira infância e sofrendo involução fisiológica durante e após a puberdade.

Os sintomas de hipertrofia de adenoides são de ordem de obstrução nasal, o que determina respiração bucal de suplência, presença e estagnação de exsudatos catarrais ou purulentos nas fossas nasais, e tendência a surtos de otites médias aguda de repetição, otite média crônica do tipo secretor, e sinusopatias. A criança dorme de boca aberta, ronca, baba no travesseiro, tem sono agitado. Há facilidade para surtos de resfriados, tosse espasmódicas, rouquidão e até laringite estridulosa, além da voz anasalada.

Com o passar do tempo, a obstrução nasal dá origem a deformação dos traços fisionômicos –  facies adenoideana – boca entreaberta, lábio superior elevado, fisionomia inexpressiva e tendência a babar. O palato (céu da boca) torna-se elevado e, com frequência há prognatismo da arcada superior. O atraso mental e os diversos distúrbios no desenvolvimento esquelético, principalmente tórax, são frequentemente associados.

As otites de repetição podem ser comuns e acarretam comprometimento auditivo em crianças que estão justamente na idade de aquisição de linguagem e escrita.

A amigdalite crônica é o processo inflamatório crônico das amígdalas palatinas, caracterizado por crises inflamatórias agudas de repetição (mais de quatro por ano), acompanhada de febre, placa purulenta, linfadenopatias, inapetência e perda de peso.

Em casos extremos é indicada a cirurgia como tratamento da doença. Isso porque os órgãos deixaram de desempenhar a capacidade imunitária, passando a ser foco de infecção e agredindo o organismo através do impeditivo às funções normais.

 

As indicações para a amigdalectomia passam por linhas básicas que nos orientam:

Indicação Absoluta para a cirurgia:

  • formação de cor pulmonale – por obstrução crônica das vias aéreas (hipertrofia acentuada das amígdalas e adenoides), com aumento de CO2 e redução de PCO2
  • hipertrofia de amígdalas e/ou adenoides associada a quadros de apnéia noturna
  • hipertrofia de amigdalas palatinas, a ponto de causar disfagia, com consequente perda de peso e mau desenvolvimento geral

 

Indicação Relativa para a cirurgia:

  • episódios recorrentes de amigdalites verificados pelo médico (mais de quatro por ano), afastado previamente imunodeficiência
  • hiperplasia amigdaliana permanente, determinando obstrução das vias aéreas superiores
  • história de febre reumática com dano cardíaco associado à amigdalite crônica recorrente, com controle antibiótico ineficiente

 

Para indicação de adenoidectomia devemos observar:

  • adenoidites crônica ou hipertrofia de adenoide associada a surtos de otites médias agudas recidivantes ou otites médias crônicas secretoras
  • adenoidite crônica associada à otite média crônica supurativa, rinofaringite ou sinusite de repetição
  • hipertrofia adenoideana causadora de obstrução da via aérea ao nível da rinofaringe

 

 

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Retirada de Amígdalas e Adenóide

(colaboração de Dr. Fernando Lerro – otorrinolaringologista)