SONO

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O sono é uma necessidade básica. É importante para que nossa mente e nosso corpo funcionem normalmente. Durante o sono, o cérebro classifica e armazena memórias e o corpo se recupera dos desgastes do dia.Durante o sono são produzidos alguns hormônios vitais para o organismo, como o do crescimento, que ajuda a manter o tônus muscular, evita o acúmulo de gordura, melhora o desempenho físico e combate a osteoporose.
Já a falta de sono inibe a produção de insulina pelo pâncreas, hormônio que retira o açúcar do sangue e eleva a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse.
Estudos apontam que crianças que não dormem bem têm mais chance de apresentar sobrepeso do que aquelas que dormem o suficiente, o responsável por isso seria o efeito que a privação do sono oferece, diminuindo os níveis do hormônio leptina, relacionado à saciedade. O resultado da redução desse hormônio é a necessidade que o corpo sente de ingerir maiores quantidades de carboidratos.

Riscos provocados pela falta de sono:

A curto prazo A longo prazo
– Cansaço e sonolência durante o dia – Falta de vigor físico
– Irritabilidade – Envelhecimento precoce
– Alterações repentinas de humor – Diminuição do tônus muscular
– Perda de memória de fatos recentes – Comprometimento do sistema imunológico
– Comprometimento da criatividade – Tendência à obesidade
– Redução da capacidade de planejar e executar – Diabetes
– Lentidão do raciocínio – Doenças cardiovasculares e gastrointestinais
– Desatenção e dificuldade de concentração – Perda crônica da memória

 

São funções do sono:

–  Restaurar processos químicos e físicos deteriorados durante a vigília.
–  Conservar energia.
–  Reforçar e consolidar a memória.

 

Fases do Sono

 

Embora o número de horas de sono varie de pessoa para pessoa, a estrutura do sono é mais ou menos constante.
O sono tem uma ciclicidade e é constituído por cinco fases distintas:

Fase 1 – É a transição entre o estágio de vigília (acordado) e o sono. Nessa fase, o hormônio melatonina que induz o sono, é liberado.

Fase 2 – Sono leve – Nesse estágio, os ritmos cardíaco e respiratório diminuem, os músculos relaxam e a temperatura do corpo cai.

Fase 3 – Zona intermediária entre o sono leve e o profundo.

Fase 4 – Sono profundo – É nessa fase que ocorre a liberação dos hormônios responsáveis pelo crescimento, pelo controle da saciedade e pela regulação imunológica.

Fase REM – É quando ocorrem os sonhos. Normalmente, esse é o estágio mais profundo do sono. As freqüências cardíaca e respiratória aumentam e acontece um relaxamento muscular quase total.

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Arquitetura do sono

Ao começarmos a dormir passamos pelas quatro primeiras etapas de sono de ondas lentas, que vai aumentando de profundidade de fase para fase, até chegarmos à fase REM (a dos movimentos oculares rápidos).
Durante a noite, num sono de sete, oito horas de duração, este ciclo repete-se de quatro a seis vezes.
A fase REM é a mais reparadora e considerada o sono do aprendizado.
Se formos privados desta fase de sono, de manhã teremos logo uma sensação de cefaléia, a capacidade de concentração diminuída, assim como a capacidade de trabalho comprometida.

É aconselhável:
– Dormir bem para manter-se jovem.
– Dormir cedo e acordar cedo, pois durante a noite a produção de hormônios é maior e a qualidade do sono melhor.

 

Distúrbios do sono

Quando a capacidade de dormir é alterada ou se o sono aparece nas atividades diárias normais de uma pessoa, as causas devem ser investigadas.
Os distúrbios do sono normalmente têm como primeiro sintoma sonolência durante o dia, entretanto há aqueles mais raros ou os mais perigosos, que podem ser fatais, como a apneia abstrutiva.

São eles:

  • Insônia
  • Narcolepsia
  • Síndrome das pernas Inquietas
  • Bruxismo
  • Apneia Obstrutiva do sono

Alguns desses distúrbios são simples e podem melhorar apenas com a mudança de hábitos de sono, redução do stress, de peso, práticas de exercícios físicos e de uma alimentação saudável.
Enfim, mudanças no estilo de vida.
Se com as alterações de hábitos não houver melhora, é bom procurar um especialista em sono, que por meio de exames específicos poderá diagnosticar e tratar estes transtornos.

Outro fator a ser considerado é que, com o envelhecimento, o homem passa também por alterações na qualidade e na quantidade do sono. Assim, de acordo com cada fase da vida, há uma forma de dormir. Mas independente da idade, é preciso desfrutar um sono reparador, pois isto é a garantia de bem-estar.

 

Bruxismo

 

O bruxismo do sono é uma atividade oral caracterizada pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono e que, geralmente, está associada com despertares. Esse bruxismo pode ocorrer também durante o dia.

A etiologia do bruxismo do sono ainda não está completamente esclarecida. De caráter multifatorial, há citações variadas para seu aparecimento:

  • má oclusão
  • hábitos orais
  • condições emocionais alteradas (ansiedade, medo, raiva, etc.)
  • deficiências nutricionais
  • vermes
  • processos alérgicos  – dentre eles a otite, rinite e respiração bucal
  • falta de amamentação

Os sinais e sintomas observados podem ser: desgaste dentário, fratura de dentes, dor orofacial, dor na articulação temporomandibular (ATM), sons de ranger de dentes relatados pelo acompanhante, cefaleia, estresse e ansiedade.

Há controvérsias, mas o que se nota é que sempre há um desequilíbrio oclusal e um componente emocional como fator desencadeador. Dependendo do biótipo da criança o bruxismo pode ser a válvula de escape.

Existe também uma associação entre crianças que não foram amamentadas e a instalação de hábitos bucais e respiração bucal. Dentre os problemas do respirador bucal, podemos citar a infecção das vias aéreas superiores e o edema alérgico e infeccioso das tubas auditivas levando ao aumento da pressão negativa do ouvido médio – esse parece ser um fator provocador do bruxismo. O bruxismo ocorreria como regulador da pressão do ouvido.

O tratamento odontológico visa o equilíbrio oclusal, podendo ser através de desgaste, Pistas Diretas Planas e tratamento ortopédico funcional.

O tratamento médico pode envolver tratamento alérgico ou otorrinolaringológico e o tratamento psicológico consiste na terapia comportamental baseada na higiene do sono e no controle do estresse.

 

Ronco e ApneiaRonco-e-Apneia

 

O ronco pode ser subdividido entre ronco primário e ronco secundário.

Ronco primário:

É um sintoma comum do sono, não é considerado um distúrbio.
O ronco é produzido quando algo obstrui o fluxo de ar na respiração. É causado pela vibração dos tecidos faríngeos e, principalmente, pelo palato mole.
Pode estar relacionado com a posição de dormir (barriga para cima), com consumo de bebidas alcóolicas e com aumento de peso.
Não ocorre falta de ar. O problema do ronco é de cunho social, pois atrapalha a vida social de quem o apresenta podendo ser causa de separações conjugais, humilhações, incômodo social e restrição de vida.

Ronco secundário:

Pode ser um sinal de distúrbio do sono sério chamado Apneia que é a suspensão momentânea da respiração durante o sono.

Apneia

A apneia pode ser subdividida em 3 tipos:

 Apneia Central: ausência de esforço inspiratório com a cessação do fluxo de ar.
 Apneia Obstrutiva: ocorre esforço inspiratório associado à cessação do fluxo de ar.
 Apneia Mista: Combinação de ambos os fatores (inicialmente apneia central seguida de esforço inspiratório).

A apneia que pode ser da competência do cirurgião dentista tratar é a apneia obstrutiva.
É a suspensão momentânea e recorrente da respiração durante o sono por mais de 10 segundos. Tem como principal característica a parada respiratória (apneia), com a musculatura responsável (diafragmática e torácica) continuando seu trabalho respiratório. É um distúrbio muito sério e que deve ser tratado.
Crianças também podem apresentar apneia e ter consequências em seu desenvolvimento. Poderá ficar cansada, irritada e inquieta durante o dia. Isso afetará seu rendimento escolar.

A gravidade da doença está diretamente associada ao IAH (Índice de Apneias e Hipoapneias por hora) uma relação entre o número de horas dormida e o número de apneias.

Classificaçâo:

–  menor que 5: normal
–  entre 6 a 30: apneia
–  acima de 30: apneia severa

As paradas respiratórias impedem que a quantidade adequada de ar chegue aos pulmões. Quando isso acontece há uma diminuição na concentração de oxigênio no sangue.
Há um aumento da atividade cardíaca para suprir essa deficiência de oxigênio e, como consequência, um aumento da pressão arterial e da tensão pulmonar.
Por conta do maior número de despertares noturno e assim, fragmentação do sono, o prejuízo se estende também com relação à memória imediata e nível de atenção.

Sinais e sintomas:

–  Ronco alto.
–  Hipersonolência diurna.
–  Sono agitado e geralmente insuficiente (não reparador).
–  Hipertensão arterial (podendo ser apenas matinal).
–  Cefaléia matinal.
–  Impotência sexual ou diminuição da libido.
–  Refluxo gastroesofágico noturno.
–  Irritabilidade.
–  Depressão.
–  Redução da capacidade intelectual.
–  Dificuldade de concentração.
–  Perda de memória recente.

A apneia do sono é uma doença incapacitante e potencialmente fatal quando não tratada.

 

Diagnóstico

Para demonstrar a probabilidade para apneia do sono, existem algumas regras clínicas preditivas que têm sido validadas para a aplicação, onde é avaliado:

No paciente infantil:

–  Rinite alérgica (inchaço dos cornetos nasais e obstrução das vias aéreas).
–  Hipertrofia da adenóide (crescimento da carne esponjosa na parte da trás do nariz).
–  Hipertrofia das amígdalas.

No paciente adulto:

–  Circunferência do pescoço.
–  Índice de massa corporal (obesidade).
–  História de hipertensão arterial sistêmica.
–  Presença de ronco intenso e contínuo com relato de apneias noturnas.
–  Hipertrofia das amígdalas e/ou das adenoides.
–  Anomalias craniofaciais como, por exemplo, a retrognatia e micrognatia.
–  Fator idade – homens com mais de 40 anos e mulheres após a menopausa também estão mais sujeitos a apresentarem o problema.

Em alguns casos, há necessidade de se aplicar testes diagnósticos (como questionários) que forneçam dados indicando a alta probabilidade da apneia.

 

Polissonografia

Polissonografia

É o estudo do sono de noite inteira realizado em laboratório e constitui o método diagnóstico padrão ouro para os distúrbios respiratórios do sono.

É a avaliação de vários parâmetros em relação ao sono:

Eletroencefalograma – mede a atividade cerebral e determina em quais estágios do sono o paciente se encontra.

Eletrooculograma – mede o movimento dos olhos, determina se o paciente encontra-se em sono REM.

Eletromiografia sub-mentoniana – mede a atividade muscular para determinar se o paciente apresenta bruxismo.

Esforço respiratório – cinta que envolve a região abdominal e mede a expansão diafragmática.

Fluxo aéreo nasal – mede o volume de ar inspirado.

Oximetria – mede a concentração de oxigênio no sangue.

Eletrocardiograma – observa pulsação, arritmias, sobrecargas, etc.

Eletromiografia tibial – mede o movimento das pernas e posição de dormir.

Por meio da polissonografia diagnostica-se a causa da fragmentação do sono, se ocorre pelos eventos respiratórios ou se por outras causas como os movimentos periódicos dos membros inferiores e até mesmo a insônia.

A apneia do sono é uma doença incapacitante e potencialmente fatal quando não tratada, podendo aumentar o risco de várias doenças.

No paciente adulto:

–  Insuficiência cardíaca
–  Arritmias
–  Infarto
–  Hipertensão arterial
–  Derrame cerebral
–  Obesidade
–  Diabetes

 

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Tratamento da apneia

 

CPAP e Aparelho Intra-Oral

CPAP e Aparelho Intra-Oral

 

O objetivo do tratamento é manter as vias aéreas desobstruídas para a passagem do ar.

Ao paciente infantil recomenda-se:

–  Tratamento otorrinolaringológico que pode ser medicamentoso ou cirúrgico (retirada da adenóide e amígdalas).
–  Acompanhamento do ortopedista funcional com correção das arcadas favorecendo a postura da língua e respiração nasal.

Ao paciente adulto cabe:

–  Interromper o uso de álcool e de medicamentos para induzir o sono.
(Estes relaxam os músculos e tecidos moles dificultando a respiração)
–  Parar de fumar.
–  Controlar o peso.
–  Não dormir de barriga para cima.

Ao dentista cabe:

–  Confecção de aparelhos bucais para avanço da mandíbula. Contendo com isso o desabamento da língua na região orofaríngea.

Ao médico cabe:

Nos casos de apneias mais graves, indicar o uso de CPAPs (são aparelhos que possuem uma pressão positiva contínua de ar nas vias aéreas superiores) e/ou indicar tratamentos cirúrgicos. Uma possibilidade é a cirurgia ortognática que corrige o posicionamento das arcadas melhorando a postura da língua.